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ATENÇÃO, LIMITE OU RITALINA: O QUE PODEMOS FAZER POR NOSSAS CRIANÇAS

Psicologia Clínica

ATENÇÃO, LIMITE OU RITALINA: O QUE PODEMOS FAZER POR NOSSAS CRIANÇAS

ATENÇÃO, LIMITE OU RITALINA: O QUE PODEMOS FAZER POR NOSSAS CRIANÇAS

Canfield, J., Berkenbroch, A., Huber, A.M. e Feltrin, L.

Hiperatividade, isto explica tudo? Segundo Intrator e Neves (2005) não há dúvida de que isto é um transtorno na vida de muita gente, tem até nome: déficit de atenção, porém se levantam pelo menos duas questões iniciais onde de um lado estão os que acreditam que a criança é portadora do déficit, ou seja, é ela que não consegue prestar atenção, mas por outro lado há os que a colocam como uma vitima da falta de atenção da escola, da família e das instituições.

Buchalla (2004) traz que a hiperatividade infantil aparece por volta dos três aos cinco anos e é mais comum em meninos. Também aponta pesquisas nos Estados Unidos onde um terço dos meninos em idade escolar usam ritalina mesmo sem precisar, dado que é confirmado pela Universidade Estadual de Campinas aqui no Brasil que, conforme pesquisa realizada, mostra que 23% das crianças diagnosticadas não tinham problemas de aprendizagem e vários educadores acreditam que muitas crianças são rotuladas porque são bagunceiras, o que leva a pensar que são tratadas por um distúrbio de que não sofrem.

Como se pode observar pela colocação acima este é um tema que gera controvérsias, onde o primeiro grupo aponta o sofrimento das crianças que não recebem tratamento e o segundo grupo alerta para a grande quantidade de diagnósticos de TDAH e com isso uma explosão de prescrição de estimulantes como se isso fosse uma solução mágica para as crianças com dificuldade de atenção.

Para Lima (apud Intrator e Neves 2005) existe uma tendência contemporânea de explicar as crianças que antes eram simplesmente chamadas de peraltas, desatentas, avoadas, desorganizadas e de categorizá-las em um diagnóstico de TDAH.

Nos últimos dez anos segundo Buchalla (2004) a hiperatividade, agitação, impulsividade e dificuldade de atenção, passaram a ser considerados como causadores da maioria dos casos de mau desempenho escolar por psicólogos, médicos e pedagogos, de modo que a medicação, neste caso a ritalina, é um avanço importante no tratamento dos distúrbios corretamente diagnosticados, porém como toda moeda tem dois lados existe o excesso no uso do remédio.

Segundo dados da OMS – Organização Mundial de Saúde o numero de pessoas diagnosticadas corretamente por um especialista com o TDAH é de 5%, dado citado por Pires (apud Intrator e Neves 2005).

Araújo (apud Intrator e Neves 2005) a luz desse dado, relata sobre uma vez em que foi chamada a atender uma escola onde de um número de trinta alunos no total, 40% haviam sido diagnosticados com TDAH, fato que a levou a questionar o diagnóstico e levantar a hipótese de banalização do distúrbio, corroborada pelos relatos ouvidos de pais e professores, onde de um lado há os pais que alegam não ter tempo para dar atenção para a criança e de outro lado estão os professores sem paciência para ensinar, é nesse lugar que aparece o medicamento ganhando espaço, então surge a questão: será que as crianças estão desatentas ou desatendidas?

Buchalla (2004) por sua vez aponta para os pais que acusam as escolas de rotular seus filhos de hiperativos sem um diagnóstico, culpando os professores de não terem dedicação e nem ao menos paciência para cuidarem de suas crianças irrequietas e não comprovadamente com desequilíbrio químico cerebral e novamente o outro lado da moeda onde as escolas por sua vez alegam dispor de pessoal treinado para a identificação do problema.

Ainda segundo o autor alguns pais utilizam o diagnóstico para conter sua própria impaciência com seu filho fazendo uso indiscriminado da medicação para manter seus filhos sossegados.

Ramal (apud Intrator e Neves 2005) aponta além do boom dos diagnósticos malfeitos, também as escolas não contando com a ajuda de profissionais especializados e, portanto despreparados para atender esta demanda que se cria em função da atitude pouca motivadora da escola com relação ao aluno e que acaba por criar essas situações de indisciplina e desmotivação das crianças.

É lógico pensar, ainda acompanhando o mesmo raciocínio, que esta situação é reforçada em casa quando pais que não conseguem dar limites ou o dão em excesso acabam por criar crianças ansiosas ou desatentas, além de outras situações como separação do casal, inadequação da criança ao perfil da escola ou mesmo a flexibilidade ou inflexibilidade de regras na escola pode levar a uma dificuldade no desempenho escolar da criança.

Além é claro de outros transtornos que segundo Barbiratro (apud Intrato e Neves 2005) podem ser confundidos com a hiperatividade, tais como a Síndrome de Asperger onde a criança tem dificuldade de se socializar, fala alto, sem oscilar o tom de voz e tem dificuldade de entender o que os outros falam; também o transtorno bipolar onde a criança passa por alterações comportamentais e tem forte interesse pela sexualidade; e como não poderia faltar a dislexia que é quando a criança não entende o que está escrito no quadro negro e se dispersa.

Werneck (2005) coloca outra dificuldade com relação ao diagnóstico dado por um médico que, independente de ser diagnóstico acertado ou não, que é o fato de a partir dele/diagnóstico ser gerada uma discriminação deste aluno, apesar não ser esta a função do diagnóstico, que recebe um rótulo, gerando a partir daí olhares desconfiados das outras pessoas do seu rol de relacionamento, tais como pais dos colegas, professores e familiares, olhares estes sentidos pela criança e que pode agravar ainda mais a situação.

Gerando por um lado, este diagnóstico, uma tranqüilidade aos pais com relação ao futuro do seu filho, com uma possibilidade de tratamento e segundo Werneck (2005) a melhoria da vida destes.

Seguindo a mesma linha, mas por um outro lado, uma questão ética aparece, pois se a escola lidar com o diagnóstico como um elemento de diferenciação do aluno e com isso negar a diversidade que nos caracteriza como espécie ela vai colocar este aluno num lugar diferenciado e ainda por cima falso, porque como se estivesse cuidando do caso com amor e consideração, acabam alegando despreparo para lidar com a criança, onde então constitucionalmente utiliza-se das práticas seculares de segregar o indivíduo e o encaminhar para outra instituição e assim sucessivamente, contando inclusive com a conivência de outros pais que não desejam o diferente junto com seus filhos, esquecendo-se que quando buscam uma escola se baseiam em perspectivas filosófico-pedagógicas adotadas por estas escolas e mais ainda privilegiando referências ao desenvolvimento ético e as diferenças individuais, defendendo e valorizando o exercício executado pela criança de práticas solidárias.

Ainda seguindo o mesmo raciocínio ninguém escolhe uma escola pela prática da exclusão, então o diagnóstico médico sempre terá sua utilidade que será testar a nossa ética e a de quem nos cerca.

Referências

BUCHALLA, A. P. Ritalina, usos e abusos.

INTRATOR, S. NEVES, T. Hiperatividade isso explica tudo?
Disponível em: http://www.portalescola.net/default.aspx?tabid=282

LLOYD, J. Ritalina.
Disponível em: http://www.farmaco.ufsc.br/farmaco/ritalina.html

WERNECK, C. Teste de ética.
Disponível em: http://www.portalescola.net/default.aspx?tabid=282

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