Alameda Princesa Izabel, 927 - Curitiba
(41) 9 9633 0587
jaimecanfield.orgone@gmail.com

INTELIGÊNCIA

Psicologia Clínica

INTELIGÊNCIA

“A mente verdadeiramente criativa em qualquer campo não é mais que isto: uma criatura humana nascida anormalmente, inumanamente sensível. Para ele…um toque é uma pancada, um som é um ruído, um infortúnio é uma tragédia, uma alegria é um êxtase, um amigo é um amante, um amante é um deus e o fracasso é a morte. Adicione-se a este organismo cruelmente delicado a subjugante necessidade de criar, criar, criar – de tal forma que sem a criação de música ou poesia ou literatura ou edifícios ou algo com significado, a sua respiração lhe é cortada. Ele tem que criar, deve derramar criação. Por qualquer estranha e desconhecida urgência interior, não está realmente vivo a menos que esteja criando”.

(PEARL BUCK)

INTELIGÊNCIA

Canfield,J.,Araújo,A.A.,Chiarentin,D.,Scharan,E.,Nascimento,J.F.,Benso,S.P.

A construção da inteligência, desde o início do século passado, é uma das áreas mais pesquisadas dentro da psicologia.

No presente trabalho, vamos evidenciar algumas teorias sobre a natureza da inteligência, traçando um panorama não totalmente abrangente, mas algumas possibilidades do construto da inteligência. Também estaremos mostrando o que determinados tipos de lesões nas regiões frontal e pré-frontal do córtex cerebral acarretam para a inteligência.

– Inteligência é um agregado, ou capacidade global do indivíduo, para agir intencionalmente e para ter eficazmente relações com seu ambiente (Wechsler).

– Inteligência é uma função constituída pelas seguintes habilidades primárias: facilidade para trabalhar com números, fluência verbal, visualização, memória, rapidez perceptual, indução e raciocínio verbal (Thurstone).

– Inteligência é tudo aquilo que nos permite pensar em uma conjuntura que descubra uma nova ordem subjacente, ou seja, tudo o que pensamos e conseguimos criar ou pensar, algo novo e diferente ( Barlow).

Segundo Luria (1981, o lobo frontal é a terceira unidade principal do cérebro, sendo responsável pela programação, regulação e verificação da atividade humana, ocupando uma área de até 1/4 da massa total dos hemisférios cerebrais. São as últimas partes a serem formadas, incluindo o lobo pré-frontal, atingindo a maturidade por volta de quatro a sete anos de idade na criança.

Ainda Luria (1981), coloca que as zonas pré-frontais são constituídas inteiramente de células das camadas superiores ou associativas do córtex e são conectadas com as partes superiores do tronco cerebral e estruturas talâmicas; também as demais zonas corticais, zonas secundárias do córtex motor e todas as outras áreas do cérebro, mantendo, dessa forma, conexões bilaterais, tanto com as partes inferiores da formação reticular, que modula o tono cortical, como com as formações da segunda unidade cerebral, que é a responsável pela recepção, pela análise e armazenamento de informações.

Estas conexões permitem as zonas pré-frontais controlarem tanto o estado geral do córtex cerebral, com o curso das formas fundamentais da atividade humana, como também é responsável pelas formas mais complexas de atividades dirigidas às metas e regulação da vigília.

Vale aqui ressaltar que qualquer atividade de processamento mental exige um certo tono cortical, o qual se modifica de acordo com a tarefa a ser realizada e o estágio alcançado da atividade, isto tudo regulado pelo lobo frontal.

A fala tem um papel ativador na criação de um estado de expectativa que formula um problema ou provê a concentração necessária para algumas formas de atividade intelectual, onde é imprescindível o aumento do tono cortical para execução da tarefa.

A maioria dos estudiosos neste assunto dizem que a essência da inteligência está na lucidez e na versatilidade para resolver novos problemas. Outros afirmam que a essência está na previsão.

A parte do cérebro responsável pelas associações novas é o córtex cerebral, sede da inteligência, a qual acredita-se ter surgido em virtude de um refinamento de alguma especialização do cérebro, como o caso da linguagem. As pessoas muito inteligentes se distinguem pela rapidez com que entendem as coisas e pela capacidade de combinar diversas idéias de uma só vez, sendo a versatilidade outra grande característica da inteligência.

Atualmente existem duas grandes teorias sobre a natureza da inteligência. A primeira propõe que todas as formas de inteligência derivam de um fator geral, conhecido como fator “g” (Eysenck, Galton, Jensen e Spearman), a outra propõe que há diferentes tipos de inteligência (Gardner, Sternberg, Thurnstone, Carroll, Horn-Cattell), porém, esta teoria apresenta discordância a respeito de quantos são os tipos de inteligência. (SILVA,2003).

A inteligência fator geral (G) é constante em todos os indivíduos, embora com variações, composto de habilidades, como: perceber, memorizar, atentar, induzir, deduzir, relacionar-se, falar. Já o fator Special (S), constituído de habilidades especiais não constantes em todos os indivíduos e variáveis entre os que a possuem. Ex. memória para números ou nomes, habilidade para reter sinônimos, habilidade para trabalhar com os dedos.

É na juventude que os animais jogam e ensaiam novas combinações de imagens e movimentos, é o período juvenil dos humanos e primatas, o mais versátil, que proporciona mais oportunidades e descobertas de novos comportamentos.

Vamos voltar uns poucos milênios no tempo. Na antiga África, o clima estava mudando bruscamente, ficando cada vez mais frio, devastando o ecossistema e dizimando populações de animais das quais os poucos sobreviventes resistiram e se adaptaram ao clima frio. Somos possivelmente descendentes de quem sobreviveu, e para sobreviver era necessário caçar grandes animais, difíceis para apenas um caçador, portanto, todos compartilhavam a caça e entre eles aumentava a cooperação, o altruísmo e as técnicas cinegéticas de caça. Pode-se então dizer que as mudanças climáticas impulsionaram o crescimento do cérebro, o altruísmo e a destreza cinegética garantindo a sobrevivência da espécie (Winner,1999).

A linguagem é a maior característica da inteligência, pois sem a sintaxe e a disposição ordenada de idéias verbais seríamos um pouco mais que chipanzés. Ex. Joseph, de 11 anos, nasceu surdo e nunca se familiarizou com a linguagem dos sinais e, segundo seu neurologista, ele via, distinguia, categorizava, porém não podia conceber idéias abstratas, refletir, julgar, fazer planos, sendo incapaz de entrar no campo da imaginação (Silva, 2006).

Para entender porque somos inteligentes, temos que conhecer o processo através do qual nossos antepassados remodelaram o repertório simbólico criando a sintaxe. Emitimos sons chamados fonemas, porém suas combinações só faz sentido, se juntarmos sons, formarmos palavras e frases significativas.

Os chipanzés podem alcançar níveis surpreendentes de compreensão da linguagem humana quando bem treinados como uma criança de 2 anos, mas a criança, depois de um ano, une palavras formando orações e frases construindo, a partir da sintaxe, fazendo planos. Outra característica da inteligência humana é a capacidade de planejar estratégias, organizar, fazer associações, prever e estimar situações futuras, prováveis ou lógicas, porém, o homem chegará sempre muito além, porque nosso pensamento não se limita apenas a produtos lingüísticos (Calvin,1999).

Então, como aplicar estes princípios na evolução de uma hipótese inteligente no interior do cérebro?

Os pensamentos são combinações de sensações e de recordações. De certo modo são movimentos que ainda não foram sucedidos; existem no cérebro padrões de atividade espaço-temporal, cada um representando um objeto, uma ação ou uma abstração. Estima-se que um só código cerebral contém, pelo menos, centenas de neurônios corticais por milímetro, que permanecem inativos ou estão excitados. As lembranças, por exemplo, são padrões congelados que esperam sinais de ressonâncias próximas que a ativem, são “buracos cerebrais”, alguns permanentes, outros de curta duração, que após uma conecção sináptica entre neurônios se reforça e se torna permanente.

Quando tentamos recordar o nome de alguém, os códigos candidatos continuam copiando-se até que, enfim, o nome apareça. Pode ser que grande parte do nosso pensar seja rotineiro, porém, estamos sempre deparando com novas habilidades que são criadoras de novas situações. Muitas alternativas bombardeiam nossa mente em poucos segundos; é provável que estamos diante de um processo darwinista em funcionamento (Gottfredson, 1999).

As crianças superdotadas são fascinantes, mas também intimidam, são objetos de temor para alguns educadores, são motivo de escárnio por parte de colegas que não os compreendem, enfim, são tão diferentes que as escolas ainda não sabem como educá-los. A ocorrência é de 2% a 5% na população (Gottfredson, 1999).

As primeiras pesquisas ocorreram no início do século XX, com (Terman,1999) na Universidade de Stanford, esclarecendo mitos de que os filhos geniais são felizes e estão bem adaptados por natureza e não precisam de atenção especial.

Atualmente se reconhece que crianças superdotadas têm problemas sociais e emocionais. Muitas tentam ocultar suas habilidades para serem aceitas.

Crianças com habilidades intelectuais e artísticas muito desenvolvidas tendem a ser impulsivas, radicais e introvertidas. Meninas superdotadas tendem mais à depressão, baixa estima e sintomas psicossomáticos do que os meninos superdotados. É comum a irregularidade nos filhos geniais, principalmente nas ciências exatas e humanas. Tal irregularidade ocorre também em crianças com déficit cognitivo, as quais se destacam nos domínios visuais, musicais e de calculo rápido. Assim como as crianças geniais apresentam precocidade, aprendizagem independente e grande desejo de aprender determinado tema, as crianças com déficit cognitivo só ultrapassam as geniais na precisão de memória (Gottfredson, 1999).

Ainda segundo Gottfredson (1999), deficiências no hemisfério esquerdo do cérebro – maior responsável pela linguagem – seriam compensadas pelo hemisfério direito responsável pela capacidade visual e espacial. Excesso de testosterona sobre o feto – patologia da superioridade. Transtornos imunológicos (asma, bronquite). Excesso de oxigenação no cérebro no ato do nascimento ou falta de oxigenação.

A seguir, algumas características das crianças superdotadas:

1. Precocidade – dominam e aprendem sobre vários assuntos antes que as outras crianças.

2. Ritmo próprio – fazem descobertas por conta própria e apresentam uma forma original de resolver problemas.

3. Anseio pelo conhecimento – Possuem grande interesse pelas áreas que têm grande habilidade e podem perder o interesse por outras coisas.

A metodologia de ensino mais adequada para estas crianças apresenta planos de estudos mais exigentes e outras formas de avaliação abrangendo as mais diferentes áreas ( Winner, 1999).

O córtex frontal regula o tono cortical de acordo com a tarefa a ser realizada, determinando ondas (excitação) lentas nas regiões frontais do cérebro ligados à fala, que provê a concentração necessária. Em patologias nesta área o tônus está alterado (Luria1981).

Dessincronização – alteração elétrica do cérebro quando tarefas demandam atenção, reflexo de orientação e ativação, é o RITMO ALFA – 8 a 10 ciclos por segundos. Contrições nos vasos periféricos e dilatação nos vasos da cabeça são também sinais de alteração que desaparecem com a execução bem sucedida da tarefa. Em casos de lesões, a ativação é muito instável ou não aparece (Baranovskaya e Homskaya,1966).

O aparelho cortical desempenha um papel decisivo na manutenção de uma das mais importantes condições para atividades conscientes humanas; manutenção do tono cortical e a modificação do estado de vigília e sono de acordo com as tarefas imediatas da pessoa.

Movimento e ação – A síndrome apático – acinético – abúlica, descrita por Luria (1981), é a mais típica conseqüência de lesões maciças dos lobos frontais e reflete o distúrbio máximo das formas superiores de ativação do comportamento, chave para compreensão da disfunção dessas zonas do cérebro. Os pacientes portadores desta síndrome apresentam comportamento passivo, sem desejos (fome), não concluem tarefas, são incapazes de concentração, não conseguem responder perguntas feitas diretamente à elas, mas percebem modificações no ambiente e também deixam de notar seus erros e nos outros, perdendo assim não só o controle sobre suas ações, mas, também a capacidade de conferir os resultados das referidas ações, embora eles relembrem o que lhes foi requerido, e a isso chamamos desintegração da função receptora da ação.

Com isto, os médicos se utilizam da estratégia de dirigirem perguntas aos vizinhos ao lado do paciente, quando buscam despertar a atenção nestes pacientes atingidos nas áreas mais complexas da fala.

Luria (1981), demonstra que lesões maciças dos lobos frontais perturbam apenas as formas mais complexas da atividade consciente e, principalmente, atividades controladas por motivos formulados com o auxílio da fala.

Dessa forma, um distúrbio da função dos lobos frontais pode levar à desintegração de programas complexos de atividade e a sua substituição por formas de comportamentos mais simples e básicos, ou pela repetição de estereótipos inertes sem relevância nem lógica para a situação.

Em programas de movimentos mais complexos, como, por exemplo, retirar a mão debaixo do lençol e erguê-la, quando solicitado, o paciente não executará os movimentos por estar além de suas capacidades e ficará repetindo ecolalicamente: sim, sim…levante sua mão. As ações mais difíceis são substituídas por estereótipos inertes, mas firmemente estabelecido. Por ex.: o paciente solicitado a acender uma vela, que risca o fósforo adequadamente, porém, não acende a vela e a coloca na boca como se fosse um cigarro. A fala para estes pacientes não é um mecanismo regulador, eles não constróem o pensamento, são impossibilitados de realizar uma tarefa, interrompem-na ou a substituem por associações, como, por ex.: foi ordenado ao paciente, um motorista, que desenhasse um círculo. Ele desenhou o círculo com a letra P – proibido estacionar. Tal fato confirma que portadores de lesões maciças nos lobos frontais são incapazes de cumprir um programa ou obedecer uma ordem.

Lesões na zona pré-motora causam a inércia patológica que se estende apenas aos componentes efetores da ação, mas a execução do programa como um todo não é perturbada. Em lesões maciças dos lobos frontais ela se estende ao próprio esquema da ação, impossível executar o programa.

O paciente não consegue mais dirigir e controlar seu comportamento com a fala, seja dele próprio ou a de outra pessoa. Se estiver observando um ponto, não muda o seu olhar por mais que seja interpelado. Em treinos de memorização, estes pacientes não conseguem memorizar mais que cinco palavras, não constróem o pensamento, apenas observam uma parte do todo que deveria ser observado, são incapazes de passar de um tipo de cálculo para outro, não conseguem interpretar e resolver problemas (Luria,1959 e Honskaya, 1963).

Por um lado, a atividade mnemônica é prejudicada no aspecto de sua capacidade de criar motivos estáveis de recordação e de manter o esforço ativo requerido pela recordação voluntária e a capacidade de passar de um grupo de traços para outro. Por outro lado, resultando daí que o processo prejudicado é o de recordação e reprodução de materiais (Luria,1981).

Geralmente as lesões maciças frontais não causam distúrbios motores ou apraxia, podem atingir a amígdala e estruturas viscerais da 1ª unidade funcional, distúrbios de olfação e visão, desinibição exagerada e alterações grosseiras nos processos afetivos (Luria,1981).

O instrumento utilizado por psicólogos, interessados em pesquisas sobre a estrutura da inteligência, é a análise fatorial.

“A análise fatorial é um método estatístico para separar um constructo – a inteligência, neste caso – em muitos fatores ou habilidades hipotéticas que os pesquisadores acreditam formar a base das diferenças individuais no desempenho nos testes. Os fatores específicos derivados, naturalmente, ainda dependeriam das perguntas específicas formuladas e das tarefas avaliadas” (STERNBERG, 2000, p. 404).

Dentre as teorias fatoriais mais competitivas, as principais são, provavelmente, as de Spearman, Thurstone, Guilford, Cattell, Vernon e de Carroll (SILVA, 2003).

Spearman: fator “g” – a teoria da existência de um fator geral que governa o grau de inteligência de um indivíduo está baseada em argumentos como correlações múltiplas positivas. O fator “g” seria hereditário, não podendo ser alterado e mensurável pelos psicólogos. Há uma alta correlação entre QI (Quociente Intelectual = Idade Mental / Idade Cronológica x 100) e tarefas cognitivas simples. (SILVA, 2003).

Segundo Sternberg (2000), Charles Spearman é reconhecido pelo mérito de idealizador da análise fatorial. Através de seus estudos analíticos-fatoriais, concluiu que a inteligência pode ser compreendida tanto em função de um único fator geral, como em função de um conjunto de fatores específicos, estando eles envolvidos no desempenho de um único tipo de teste de capacidade mental. Porém, para Spearman, os fatores específicos são apenas de interesse casual, devido a restrita aplicabilidade. Já o fator geral por ele denominado fator “g”, fornece a chave para a compreensão da inteligência e acreditava que “g” fosse devido à “energia mental”.

Inteligências Múltiplas: segundo Silva (2003), a teoria das inteligências múltiplas basicamente consiste numa crítica à noção de que há apenas uma simples inteligência, o fator “g”.

Ainda segundo Silva (2003), a teoria supõe que a inteligência pode ser decomposta em muitos fatores ou habilidades hipotéticas que formariam a base das diferenças individuais.

Neste grupo e no extremo oposto do modelo de fator único “g” está o modelo da estrutura do intelecto, de J. P. Guilford.

Para Guilford, a inteligência pode ser compreendida através de um cubo que representa a intersecção das três dimensões: várias operações, conteúdos e produtos, incluindo 150 fatores da mente.

As operações seriam apenas processos mentais como, por exemplo, a memória. Os conteúdos são os tipos de termos que aparecem em um problema, semânticos e visuais. Os produtos são os tipos de respostas exigidas, como unidades, por exemplo: palavras e números (Sternberg, 2000).

A maior contribuição de Guilford, ainda segundo STERNBERG (2000), foi a sugestão da existência de vários tipos de operações mentais, de conteúdos e de produtos nas concepções e avaliações da inteligência.

Inteligência Psicométrica: a análise da inteligência baseada em diversos instrumentos de medida é a mais aceita e mais utilizada. A partir de 1904, quando Binet delineou com sucesso um teste para distinguir crianças mentalmente retardadas daquelas com problemas de aprendizagem, os instrumentos têm apresentado importante papel tanto na seção, diagnóstico e avaliação nas mais deferentes áreas (Silva, 2003).

Silva (2003), afirma que os testes de inteligência podem apresentar diferentes formas. Alguns compostos de apenas um tipo de questão ou item, e outros incluindo muitos diferentes itens, verbais ou não verbais.

As duas principais classes de testes de inteligência são: os testes estáticos e os testes dinâmicos.

A grande maioria dos testes de habilidades são testes estatísticos, apresentando itens respondidos pelo examinando sem feedback. Os testes dinâmicos oferecem outra opção para a mensuração de habilidades, os examinando resolvem problemas de forma desfigurada. Caso a resposta esteja certa, ele segue adiante, porém, em caso de erro, o examinador irá orientá-lo de dar o feedback (Silva 2003).

“A idéia central é que a habilidade do examinando em tirar proveito do feedback orientado permitirá diferenciar sua capacidade latente de sua habilidade observada.”(SILVA, 2003, p.92).

Apenas no início da década de 90 começaram os estudos experimentais com ênfase na natureza biológica da inteligência. As abordagens biológicas tentam compreender a inteligência em termos do funcionamento em particular do cérebro, e do sistema nervoso no geral (SILVA, 2003).

De acordo com Hebb, um dos pioneiros na procura de substratos biológicos referentes as diferentes habilidades ou inteligências humanas, em suas primeiras pesquisas, em 1949, apontou três tipos de inteligência. A inteligência A: o potencial inato; a inteligência B: o funcionamento do cérebro conseqüente do desenvolvimento atual que tem ocorrido habitualmente. Ambas distintas da inteligência C: aquela que pode ser mensurada pelos testes psicométricos tradicionais de inteligência (SILVA, 2003).

“Hebb também entendia que a aprendizagem, uma importante base de enriquecimento da inteligência, é edificada por agrupamentos de células pelas quais, sucessivamente, conexões cada vez mais complexas entre os neurônios são construídas quando a aprendizagem toma lugar.” (SILVA, 2003, p. 68).

Em 1951, Halstead, sugeriu a existência de quatro habilidades determinadas biologicamente, denominadas: 1. Fator integrativo de campo; 2. Fator de abstração; 3. Fator de potência; 4. Fator diferencial. Estas habilidades são por ele entendidas como todos esses quatro tipos estando primariamente dependentes do funcionamento do córtex dos lobos frontais. (SILVA, 2003)

A terceira ênfase biológica foi dada por Luria nas décadas de 70 e 80.

“Ele entendia que o cérebro engloba três grandes principais unidades com relação à inteligência: 1. Uma unidade de ativação no tronco cerebral e nas estruturas do cérebro médio; 2. Uma unidade sensorial de entrada nos lobos temporal, parietal e occipital; 3. Uma unidade de organização e de planejamento no córtex frontal.” (SILVA, 2003, p. 68).

É relevante lembrar, neste momento, que a organização funcional dos lobos frontais humano é um dos problemas mais complexos da ciência moderna e que, a cada momento, novas descobertas estão sendo realizadas.

Temos certeza de que, ainda neste século, iremos desvendar muito deste mistério chamado lobo frontal e lobo pré-frontal e suas múltiplas funções, no processo de desenvolvimento evolutivo da humanidade.

Referências

LURIA, A. R. Fundamentos de Neuropsicologia. São Paulo: EDUSP,1981

SILVA, J. A. de. Inteligência Humana – Abordagens Biológicas e Cognitivas. São Paulo: LOVISE, 2003.

TEMAS INVESTIGACION Y CIENCIA. (Terman,L.;Gottfredoson,L.S.;Winner,E.) Inteligência Viva. No.17, 1999.

STERNBERG, R. J. Psicologia Cognitiva. Porto Alegre: ARTMED, 2000.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *