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SISTEMA CORPO NO PROCESSO TERAPÊUTICO RELACIONAL SISTÊMICO

Psicologia Clínica

SISTEMA CORPO NO PROCESSO TERAPÊUTICO RELACIONAL SISTÊMICO

SISTEMA CORPO NO PROCESSO TERAPÊUTICO RELACIONAL SISTÊMICO

Canfield,J.

Introdução

A partir da metade do século XX, surge uma nova possibilidade de trabalho com psicoterapia, começa a ser utilizada a Teoria Geral dos Sistemas, que vem para modificar o modelo psicanalista, predominante até então. Na década de sessenta os terapeutas de família se voltam para a Teoria Geral dos Sistemas. Os Terapeutas Sistêmicos propõem um novo olhar para a relação terapêutica e desenvolvem e utilizam estratégias para auxiliar o sistema familiar a se reorganizar, experimentando os seus conhecimentos do funcionamento dos sistemas, olhando de fora para estes.

É neste contexto que várias linhas terapêuticas surgem, direcionando seus conhecimentos nas Terapias Sistêmicas como prática clínica, através de sessões de família, cada uma com suas estratégias específicas. Isso ocorre devido a vários grupos de terapeutas desenvolverem seus focos de estudo em várias formas da compreensão sistêmica.

Como foco de desenvolvimento deste trabalho: a Terapia Relacional Sistêmica que inclui o corpo e a possibilidade de contato corporal em sua concepção e a Biossistêmica, que propõe o encontro entre as teorias com base biológica e bioenergética, aliada a uma visão sistêmica das relações visando facilitar a integração dos processos fisiológicos de vários níveis – moleculares e orgânicos, a campos diversos das funções mentais, como lógico-verbal e imaginativo-visual. Através disto, estabelecendo uma relação, não só entre pessoas, mas entre cada um consigo mesmo e como isso ocorre no sentido de facilitar ou dificultar a relação deste indivíduo com as outras pessoas.

A seguir, uma síntese das várias escolas da Teoria Sistêmica a fim de melhor entendimento ao tema aqui proposto.

Enfoque Psicodinâmico

As abordagens psicodinâmicas se valem tanto dos princípios psicanalíticos quanto dos conceitos de sistêmica, segundo nos coloca Calil (1987). Vários autores se dedicaram ao desenvolvimento destes conceitos, destacando-se Ackermann como precursor da abordagem, pois foi o primeiro terapeuta a trazer toda a família para a investigação clínica e o tratamento. Por volta da década de 30 já escrevia sobre as dinâmicas familiares e na década seguinte postulava a terapia familiar como uma modalidade terapêutica. Em parceria com Jackson, funda o primeiro jornal sobre a teoria e terapia familiar, fato acontecido no ano de 1962. Em 1965, funda em Nova York o Ackermann Instituto de Terapia Familiar, até hoje um dos maiores centros de ensino e pesquisa em terapia familiar.

Grupo de Palo Alto

O Grupo de Palo Alto foi formado pela cooperação de Bateson, Watzlawick, Bowen, Minuchin, Framo, Haley, Satir e Weakland na formulação do projeto Aprendendo para Aprender, de acordo com Desidério apud Hoffman (1993).

Wittezaele e Garcia (1998) afirmaram que o interesse pelo discurso sem nexo dos esquizofrênicos constituiu um objeto de estudo interessante para a prática das novas idéias que emergiram com o grupo. Segundo Desidério (1993), a equipe de Palo Alto classificou as comunicações em níveis de significado, de tipos lógicos e de aprendizagem, entendendo que os padrões de transação da esquizofrenia, por exemplo, são conseqüências da inabilidade de discriminar entre os tipos lógicos.

Segundo Desidério (1993), para o grupo de Palo Alto, a família do esquizofrênico utiliza-se de formas de comunicação especiais e denominadas de dupla vinculação, que trata de uma comunicação multinivelar contraditória. Com a teoria do duplo vínculo, a doença mental passa a ter um olhar sistêmico e ser entendida como um distúrbio da comunicação na célula familiar. Conforme Wittezaele e Garcia (1998), esse novo olhar confere uma nova perspectiva terapêutica.

A equipe de Palo Alto, ainda segundo Desidério (1993), abandonou os conceitos psicanalíticos e passou a utilizar a interação (ação entre indivíduos) como unidade de análise visando o minoramento do sofrimento psicológico. Watzlawick, Wekland e Fish (1974), citados por Desidério (1993), elaboraram cinco axiomas, por meio dos quais conceituaram os padrões de interação:

1. É impossível não comunicar, já que palavras, gestos, olhares e movimentos são mensagens, ou seja, são comportamentos emitidos;

2. O conteúdo e a forma são os dois aspectos em que se dá a comunicação;

3. É na contingência da pontuação das seqüências comunicacionais entre os comunicantes que está à natureza de uma relação;

4. Os seres humanos se comunicam digital e analogicamente;

5. Todas as permutas comunicacionais são simétricas ou complementares.

Segundo Wittezaele e Garcia (1998), para o grupo de Palo Alto, o trabalho com a mudança assume importância fundamental na instalação do processo terapêutico, que procura trabalhar o aqui e agora, focando os efeitos e não as possíveis causas das patologias, proposta sustentada por Desidério (1993), pois de acordo com Wittezaele e Garcia (1998), a origem do problema tem pouca importância, já que o fato essencial é que este se manifesta no tempo presente, mesmo instante no qual é preciso modificar a estrutura do sistema com o intuito de tornar o sintoma inútil e/ou inadequado a esse mesmo sistema.

Escola Estratégica

Para Elkaim (1998) a terapia estratégica é um modelo essencialmente voltado para área clínica. Sua teoria é baseada sobre a manutenção do problema e sobre a mudança. Sua filosofia é utilizada em várias teorias com a finalidade de uso em prevenções, mudanças ou até mesmo descrição da vida normal. O terapeuta deve estabelecer a prática de forma ativa, diretiva e capacitada, procurando transparecer acolhimento e respeito. Um de seus diferenciais é encontrado na responsabilidade assumida quando ocorre o fracasso do tratamento.

Elkaim (1998) afirma que sua meta básica é a de solucionar o problema presente. O sucesso do terapeuta encontra-se na forma e habilidade de verificar as variáveis e centralizar o foco do problema. Analisar dados e procurando agir com cautela, evitando erros que possam interferir na manutenção de um relacionamento de cooperação com seus pacientes, respeitando a cultura, pois acredita que todas apresentam um vocabulário único e suficiente para designar problemas, relacionamentos e mudanças.

A terapia estratégica acredita na competência e capacidade de seus pacientes de alterar comportamentos e atitudes dentro de um contexto social favorável. A flexibilidade é a marca fundamental desse modelo, possibilitando, segundo Elkaim (1998), utilizar diversas abordagens para vários problemas presentes e contextos culturais, étnicos e sociais trazidos à terapia.

A unidade para a terapia estratégica é do triângulo. A trindade é uma unidade grande o suficiente para permitir a descrição da coalizão e de outras interações complexas, permitindo verificar a hierarquia e possibilidade de aplicação teórica. A hierarquia é a delineação geralmente sensível às expressões de amor, proteção, e poder da família. É apropriada é criada não apenas pela capacidade de reforço das regras e conseqüência, mas também pela capacidade de proteger e confortar, conforme Elkaim (1998).

Escola estrutural – Salvador Minuchin

A terapia estrutural da família se desenvolveu a partir da segunda metade do século XX, abordando o ser humano como parte do ambiente em que vive. Minuchin (1982).

Quando a estrutura do grupo familiar é transformada, as posições dos membros nesse grupo ficam alteradas. Com isso as experiências de cada indivíduo, segundo Minuchin (1982), mudam possibilitando que qualquer mudança ocorrida na estrutura familiar mudará a concepção de mundo da família que será seguida pela mudança na estrutura familiar, mudando o tipo de sintoma usado para manter a organização familiar. Conforme Minuchin e Fishman (1980) além de uma estrutura, uma família tem também um conjunto de esquemas cognitivos que legitimam ou validam a organização familiar.

A teoria da terapia familiar se fundamenta no fato de que o homem não é um ser que existe isolado, mas existe como um membro de grupos sociais e a forma como a família desenvolve sua estrutura é análoga ao processo pelo qual a sociedade desenvolve suas instituições.

A terapia estrutural de família é uma terapia de ação e o objetivo do instrumental desta é modificar o presente e não explorar e modificar o passado. O terapeuta faz uso da matriz familiar no processo de cura, se unindo a família, objetivando mudar a organização familiar, e a família, com estas mudanças oferece aos seus membros novas oportunidades e novas possibilidades de si mesmo.

Grupo de Milão

Rosset (2004), embasada em Palazolli, Boscolo, Cecchim e Prata nos coloca que o distanciamento e a intimidade entre os membros de uma família são organizados em torno de um paradoxo, onde todos os membros dependem de relacionamentos íntimos uns com os outros e de padrões estáveis de interação a fim de obterem feedback sobre comportamentos e percepções de si próprios e dos outros.

Concomitantemente, porém, estes relacionamentos estão sempre se modificando devido ao desenvolvimento biológico individual dos seus membros, como também as influências externas exercidas sobre a família. Alguns núcleos familiares lidam de modo satisfatório com este dilema, porém outras se deparam com incertezas quanto a mudanças, percebendo-as como ameaça aos padrões estáveis de relacionamento. Baseando-se nestas dificuldades de lidar com as mudanças, os indivíduos deste grupo familiar mantêm os padrões antigos de um funcionamento disfuncional nas suas interações familiares, limitando assim o crescimento do sistema.

Rosset (2001) propõe também que as famílias sintomáticas têm tendência a comportar-se de maneira como se o problema não existisse a nível sistêmico e, segundo alguns autores, estas se mantêm em um foco linear do problema, ou podem se restringir a uma visão distorcida da realidade. Uma forma de resolver esta questão na prática clínica é ampliar a percepção do problema que está restrito ao membro do grupo postulado como sintomático, para todos os membros do sistema.

Abordagem Experiencial

O termo “terapia experiencial” foi empregado segundo Elkaim (1998), pela primeira vez em 1953 por Carl A. Whitaker e Thomas P. Malone. O psicoterapeuta age essencialmente de maneira empírica à medida que seu interesse se volta para a relação entre patologia e o crescimento. Baseado em uma concepção fenomenológico-existencial do desenvolvimento humano, o modelo ressalta que é possível às pessoas aprender de modo mais eficaz por intermédio da experiência.

As famílias são responsáveis por seu próprio crescimento e desenvolvimento. O terapeuta vê a si mesmo apenas como um catalisador do processo de mudança. Elkaim (1998) afirma que o objetivo de Whitaker era o de permitir que os membros da família alcançassem seu próprio desenvolvimento por perceber a dimensão de sua própria importância.

A abordagem de Whitaker e Satir, apud Elkaim (1998), possui quatro aspectos em comum: conferem primazia à experiência; tem na personalidade do terapeuta uma parte essencial do processo terapêutico; abordam o passado apenas pela experiência do presente; tem como objetivo da terapia não a resolução de um problema específico, mas sim o de permitir a manifestação de desabrochar do paciente. Considera que as famílias não possuem somente problemas, mas também recursos. A identidade de cada um desses membros se define nos limites de um contexto trigeracional. O modelo enfatiza que o comportamento só pode ser entendido no contexto em que ele ocorre

Ainda segundo o mesmo autor, a terapia simbólico-experiencial concerne à integração entre os mundos da experiência e do símbolo. O primeiro, nós o conhecemos por meio dos sentidos, adquirimos consciência através das expressões do self, que se manifestam pelos relacionamentos estabelecidos com os outros, significando algo para nós. A evolução do universo simbólico é resultado da experiência, gera a percepção e a identidade. Tudo o que nos vem sob a forma da experiência reverte-se em símbolos, estes guardam significados que as palavras não têm o poder de expressar.

Em uma família saudável observa-se um fluxo livre de interação entre o mundo da experiência e o dos símbolos. Para Elkaim (1998) a tarefa do terapeuta é propiciar à família experiências capazes de provocar a alteração de seus símbolos disfuncionais.

O Modelo Trigeracional

Segundo Andolfi (1981), a escola trigeracional traz como diferencial a linguagem como forma de interpretar a maneira de ser, mesmo em relação ao outro, e a atenção voltada à criança, a qual, na terapia familiar, por muitas, fica esquecida.

Para Andolfi (1981), a criança não é o “problema”, mas, um indicador de que cada membro da família possui uma enfermidade de ordem profunda, que não cessa com o decorrer do tempo. O sintoma que a criança apresenta diminui a tensão da família em outros campos como: casamento infeliz, insatisfação profissional ou sobre um problema com raízes na família de origem, a fim de concentrar a atenção sobre o menino ou menina “problemático”.

O processo terapêutico se estabelece em períodos. O primeiro é denominado fase do sinal, a qual a família busca ajuda devido ao aparecimento de um membro “problemático”. Esta etapa é caracterizada essencialmente pela pesquisa sobre a importância relacional dos problemas apresentados. O período seguinte é denominado fase funcional, e é voltado para os sintomas apresentados pela criança como atendimento a uma função especifica, com o fim de encontrar pontos de conexão entre o individuo e a sua família. É um momento onde a atenção é voltada às complexas interações entre as tarefas e os papeis que o sistema familiar estabelece para cada um de seus membros. (ANDOLFI, 1981).

O processo saudável da família é aquele que utiliza mecanismo reversível e temporário de identificação, onde há uma constante troca do foco de “atenção”. Quando a família preserva estabilidade neste processo corre o risco de se enrijecer e criar uma identidade previsível e automatizada, sobrecarregando um membro da família, e assim evitando o contato com outros problemas de raízes muito mais profundas.

Para Andolfi e Ângelo (1991), o Modelo Trigeracional representa uma mudança de óptica e uma nova orientação no domínio da terapia sistêmica, onde é levada em consideração a dimensão histórica – evolutiva do sistema com o qual o terapeuta estabelece uma relação de interação com o individuo portador do sintoma e com os outros membros da família. Observando todas as relações presentes neste meio e com as respectivas famílias de origem, pois Boszormenyi-Nagy e Spark (1973) partem do princípio de que, em cada casal, não existe apenas um homem e uma mulher unidos, mas dois sistemas familiares.

A terapia adotada por Andolfi (1988) dentro da escola trigeracional é a teoria evolutiva, de metodologia humanista – experimental baseada na idéia de oferecer às famílias em tratamento um ambiente que pudesse conter as emoções e reavivar os processos de escolha que pareciam estar suspensos com o desenvolvimento da patologia centrada em um dos seus membros. Sendo assim, a postura do terapeuta não pode ser neutra, ao contrário, deve se caracterizar de forma auto – referencialmente e guiada por suas convicções pessoais, assim como por seu próprio sistema de valores.

A proposta de abordagem é vista como uma união terapêutica, respeitando os sintomas apresentados pelo paciente a fim de ter acesso, por intermédio destes percursos evolutivos familiares. Assim, a partir deste momento, reavaliar a força inerente à patologia e utilizar-se dela ao invés de ir contra o sintoma, como forma de potencialização, para encontrar um espaço de “jogo” no interior do sintoma.

A partir deste momento fazer o que Andolfi denominou de provocação terapêutica, que visa romper os limites traçados pela família, fazendo acentuar a idéia de que o aquilo que é apresentado é o máximo de recursos disponíveis utilizados pelo membro “problemático”. E, a partir deste processo, permitir mudança, abandonado os velhos padrões e descobrindo novos papéis.

Escola Multigeracional

Conforme a Teoria dos Sistemas as famílias humanas são uma unidade emocional, com uma teoria específica sobre o funcionamento das relações humanas e os processos somáticos, intelectuais e sentimentais inerentes.

“A família é um sistema em que a mudança que afeta uma de suas partes se faz seguir por mudanças compensatórias em outras de suas partes componentes”. Elkaim (1989, pg.72). Propõe que os sintomas emergem de processos que se desenvolvem dentro da unidade familiar. Estes sintomas representam uma mudança no funcionamento; da mesma forma que os processos orgânicos restauram a saúde, na unidade familiar pode-se refletir sobre o que ameaça ou perturba suas funções naturais. As ligações emocionais não resolvidas de uma pessoa em relação a seus pais são denominadas, na maioria das vezes, indiferenciação. O primeiro aspecto nega a própria capacidade de relacionamento e o segundo a maneira como os pais administram essa ligação em sua própria união. O terceiro aspecto constitui na intensidade da ansiedade que a família esta vivenciando.

Elkaim afirma que quando o sistema familiar é ansioso, apresenta um processo de relacionamento característico que ele denominou de Triangulação, correspondendo à configuração emocional, envolvendo três pessoas e que considera a base do sistema familiar. A Triangulação leva as situações disfuncionais porque fornece estabilidade através de uma via lateral, ou seja, a inclusão de um terceiro individuo. Conforme o triangulo Clássico Pai-Mãe-filho, a tensão aumenta na relação do casal podendo desvia-la para a criança, a ponto desta apresentar um comportamento sintomático.

Ainda para o mesmo autor, o triângulo nunca é fixo, nem estático, mas sofre deslocamento de momento a momento, sendo decorrente de uma pré-disposição de ansiedade e da dinâmica interna.

Conforme salienta Desidério (1993), o sistema emocional da família nuclear tem a sua origem no conhecimento dos cônjuges, se desenvolve através da relação com cada família de origem e com os filhos desta união. O comportamento padrão dos cônjuges é que determina a forma de interação dos demais membros da família.

Também relata que o corte emocional é a maneira como os filhos se afastam dos pais, para dar início a uma nova vida com seu par. Há uma necessidade do filho elaborar as regras e leis familiares demonstrando sua capacidade de pertencer ao grupo familiar. Se o filho não souber fazer essa separação das dificuldades emocionais, estas serão transmitidas para gerações posteriores. O objetivo da prática terapêutica de Bowen é conduzir cada comportamento em grau cada vez maior de diferenciação pessoal e a separação do self em relação ao seu sistema emocional.

O ponto central da terapia de Bowen é a passagem do indivíduo da compulsão a reagir à liberdade de responder. Esta técnica visa melhorar o relacionamento conjugal e familiar. O terapeuta procura descobrir os padrões repetitivos e inadequados transmitidos de geração em geração na vida familiar. Se empenhar em ensinar o funcionamento do sistema emocional dos pacientes e no desenvolvimento de um self forte em cada membro da família.

Terapia Relacional Sistêmica

A proposta da Terapia Relacional Sistêmica, segundo Rosset (2001) é de trabalhar a autonomia dos indivíduos no sentido de perceber-se pertencendo ou separando-se dentro de um sistema, seja ele familiar ou de grupo, onde o sujeito é levado a ter consciência das aprendizagens e estratégias necessárias para poder reconhecer e promover as mudanças de padrão de funcionamento e interação nas suas relações, sendo responsável pela execução dessas escolhas, adquirindo assim um repertório cada vez maior de estratégias de funcionamento.

A Terapia Relacional Sistêmica foi criada em 1989, junto com Tereza Christina Fraga Brandão Paulus, depois de anos de experiência e influenciadas pelo Psicodrama. Primeiramente, se utiliza a proposta básica da relação terapêutica, que é o trabalho centrado no momento, no aqui e agora e também da noção dos contextos (social, grupal e psicodramático) e os níveis das teorias de Matriz de Identidade e Núcleo do Eu para a compreensão de desenvolvimento, além de todo instrumental técnico/psicodramático. Foram influenciadas por Fonseca Filho, Dias e Moreno.

Adota também da Teoria de Sistemas Familiares a leitura sistêmica das situações, sendo o cliente responsável pelo processo e o foco da terapia é a mudança, além de se utilizar à técnica de instrumentação do tempo e planejamento do processo, visando o enquadre base dentro do processo terapêutico, aqui com forte influencia de Andolfi, Witaker, Minuchin e Satir.

E, finalmente, embasadas por Reich, Lowen e Baker, dentro da Psicologia do Corpo, incorporaram como base à compreensão energética dos seres vivos e a teoria do desenvolvimento para compreender seu funcionamento. Foram utilizados também todos os conhecimentos técnicos e a permissão para o contato corporal com o cliente.

A partir de 1993, Rosset (2005), já sozinha, começa a desenvolver novas definições para a Teoria Relacional Sistêmica onde a fundamenta nos seguintes pressupostos:

O indivíduo não existe isolado, ele sempre está inserido em vários sistemas, sendo o principal a sua família de origem, que é sua matriz básica.

A família funciona como um organismo, com todas as partes ligadas e interagindo, num movimento contínuo de trocas entre o sistema e o indivíduo, onde ele além de sofrer influências, também influencia o sistema.

Os sistemas passam por ciclos de constantes transformações, sendo um espaço de aprendizado no qual existem coisas a serem conquistadas ou abandonadas e cabe ao indivíduo, consciente ou inconscientemente, decidir o que vai acontecer em sua vida, decisões estas que podem trazer dor se ICS ou alegria e prazer quanto mais CS e unificado o organismo (família) se comporta.

Os sistemas saudáveis têm uma quantidade de energia e vitalidade que são flexíveis e fluídas. Se estas energias estiverem congeladas e repetitivas, é um sintoma de que o sistema não esta bem e utilizando esse sintoma para descobrir o padrão de funcionamento do sistema, pode-se trabalhar no sentido de buscar uma alteração neste padrão de funcionamento através da psicoterapia, uma vez que cada sistema tem um padrão de funcionamento próprio.

Como postura terapêutica Rosset (2005) coloca que o terapeuta deve assumir uma postura em colocar, de forma adequada, dosada, todo seu conhecimento pessoal a serviço do cliente naquele momento específico, respeitando as limitações, dificuldades e resistências do cliente, não importando o que ele sabe do mesmo, priorizando a mudança e a aprendizagem, levando o cliente a se conscientizar e responsabilizar-se por suas ações e reações relacionais. Além de focar no para que determinada coisa, evitando porquês, sem buscar uma causa ou um culpado, em vez de se focar nas possibilidades de mudanças de estratégias nas relações deste sistema relacional.

Sistema Corporal

Cabeça: Com os cinco sentidos, os de longo alcance como a visão que é o sentido mais utilizado pelo homem, a audição, o olfato e os de curto alcance o paladar e o tato, não excluindo a possibilidade de tocar com um olhar, uma palavra, um odor ou sabor. Além de conter o cérebro com todas as suas funções e dos anéis ocular, oral e cervical (este como uma ponte que une e separa o que pensamos do que nos emociona e região da produção da fala).

Tronco: Com os anéis torácico, diafragmático (composto pelo músculo diafragma e responsável pela administração da respiração), abdominal e pélvico, com todos os seus órgãos e vísceras e todas as emoções, sentimentos e desejos inerentes aos anéis já citados.

Membros: Braços que nos permitem ao mesmo tempo o contato social ou afetivo com o outro, seja para trazê-lo mais próximo, como também para limitar esta distância e até mesmo promover o afastamento se necessário. Perna que nos coloca em contato com a realidade nos enraizando e ao mesmo tempo nos propicia autonomia, o ir e vir.

Discussão Teórica

Sistema Nervoso Central (SNC), segundo Goldberg (1992) inclui o cérebro, cerebelo, tronco cerebral e medula espinhal e mais as estruturas entre o cérebro e o tronco cerebral chamada diencéfalo, que é onde se encontra o tálamo (o tálamo é um relé sensitivo e centro de integração, conectando várias partes do cérebro, incluindo o córtex cerebral, gânglio da base, hipotálamo e tronco cerebral, é capaz de perceber a dor, mas não de localizá-la precisamente), hipotálamo (ele é do tamanho de uma unha do dedão, é o controle do SNA), epitálamo e subtálamo e os gânglios da base. A unidade básica funcional do SNC neurônios que se comunicam com os nervos, através das sinapses, componentes periféricos do SNC, mas, fora deste, fazem sua união com a pele, músculo e outros sistemas de vários órgãos. São compostos de 31 pares de nervos espinhais e 12 pares de nervos cranianos.

Sistema Nervoso Vegetativo ou Autônomo (SNA), segundo Liss (1997), dirige, regula e coordena as diversas funções que servem à conservação da vida, como a circulação sangüínea, respiração, digestão, atividade sexual dentre outras e é subdividido em dois subsistemas, o simpático e o parassimpático. Kignel (2005) coloca que se divide em ativador, o componente simpático que usa energia ascendente e relaxador o componente parassimpático que renova a energia.

As funções simpática e parassimpática ajudam o corpo a suportar e depois renovar a energia gasta em uma atividade vigorosa. O ativador simpático é utilizado pela adrenalina e o relaxador parassimpático por meio de noradrenalina e, de acordo com a neurofisiologia, é o hipotálamo que regula essas duas funções.

Os centros do Sistema Nervoso Simpático (SNS) ficam longe de seus órgãos alvo, mas conectado intimamente a eles de modo que garanta uma ativação do sistema como um todo para obter uma resposta rápida e generalizada do organismo frente a um estresse.

Goldberg (1992) explica que o SNA regula glândulas, músculo liso e músculo cardíaco, e que o SNS é um sistema catabólico, que consome energia como em situações de luta ou de fuga em resposta ao perigo, por exemplo, aumentando a freqüência e contratilidade cardíaca e desviando o sangue para músculos e coração.

No SNP, ao contrário, seus centros ficam próximos aos órgãos alvos e distantes um do outro e essa distribuição, segundo Stupiggia (1997), favorece o controle das suas várias funções.

Goldberg (1992) esclarece que o SNP é anabólico, conservando energia, portanto diminui a freqüência cardíaca e promove a digestão e a absorção dos alimentos.

Ambos os sistemas trabalham de forma antagônica sobre os vários órgãos e aparelhos, por exemplo, enquanto o SNS promove um aumento da freqüência cardíaca e pressão sangüínea, maior fluxo de sangue para os músculos voluntários além da promoção da liberação de hormônios do estresse (adrenalina, noradrenalina, corticosteróides), estimula processos catabólicos (ruptura das grandes moléculas para liberar energia), aumenta a glicemia e reduz a atividade digestiva e fluxo de sangue para os órgãos abdominais e a pele. (GOLDBERG, 1992).

Liss (1997) esclarece que o SNP induz aos mesmos aparelhos um efeito exatamente ao contrário, diminui a freqüência cardíaca e a pressão sangüínea, aumenta a secreção de enzimas digestivas a motricidade intestinal e a irrigação dos órgãos pélvico-abdominais.

O corpo físico vai além de uma questão puramente genética e das influências do meio ambiente e, segundo Boadella (1997), é um repertório codificado para todas as emoções, pensamentos, sentimentos e valores que corporificamos.

“Logo que nasce, a criança tem necessidade de alguém que a alimente e, ao mesmo tempo, a mantenha junto de si, a acaricie, a observe lhe ofereça seu cheiro e sabor, faça-a escutar o ritmo de seu coração e respiração, a tensão de seus músculos e a maciez de seu ventre e peito.” (BOWLBY, in A Terapia Biossistêmica, 1977).

“A neurose não é apenas uma expressão de um distúrbio do equilíbrio psíquico, mas, num sentido muito mais verdadeiro e profundo, é também a expressão de um distúrbio do equilíbrio vegetativo e da motilidade natural” (WILHEL REICH in Energia e Caráter, pg. 14, 1997).

Segundo Liss (1997), os componentes simpáticos e parassimpático do SNA trabalham em interação recíproca, onde a ativação de um componente inibe a atuação do outro, a patologia ocorre quando acontece à perda dessa interação, em que o componente simpático estimula os músculos que ativam uma pessoa e o parassimpático propicia o relaxamento, isto tudo de forma involuntária.

Ainda para Liss, a expressão das emoções como choro, raiva, dor, pânico dependem de uma interação recíproca entre os sistemas de atividade (simpático) e relaxamento (parassimpático) e quando não ocorre esta interação os dois sistemas trabalham cumulativamente, gerando respostas emocionais dos dois sistemas ao mesmo tempo como choro, e o medo, que são emoções suaves e fazem parte do sistema de relaxamento (parassimpático) e a raiva e a assertividade que são emoções duras e fazem parte do sistema de atividade (simpático).

Como confirma Allan Shore (1994) citado por Kignel (2005), as emoções relacionadas à dominação simpática (raiva, protesto) ou a dominação parassimpática (tristeza, dor) envolvem todos os níveis cerebrais. Os processos conscientes corticais, pensamento, memória, percepções, podem influenciar um estado emocional; o lobo frontal recebe mensagens vindas de diversas partes do córtex e manda mensagens para a parte inferior do sistema límbico. As mensagens podem induzir a raiva (SNS) ou a vulnerabilidade (SNP).

Da mesma forma e ao mesmo tempo, estados subcorticais não conscientes, organizados em diversos níveis cerebrais, podem enviar mensagens à parte superior no lobo frontal e desta forma os processos fisiológicos internos podem influenciar estados emocionais conscientes.

A medicina psicossomática aponta o caminho da psique influenciando uma condição somática; a medicina somatopsíquica mostra o corpo influenciando o estado psicológico e a teoria dos sistemas prediz esta interação causal. Este modelo que Shore apresenta, avaliando a interação entre os centros neurais do simpático e do parassimpático em múltiplos níveis cerebrais oferece um mapa neuronal que nos permite entender o complexo fenômeno da comunicação mente corpo.

Estas conexões entre áreas corticais e centro subcorticais correlacionam-se com as experiências clinicas nas quais pensamentos e imagens conscientes podem influenciar estados fisiológicos e estados fisiológicos inconscientes podem influenciar pensamentos e imagens conscientes. São interações coerentes com o modelo sistêmico: que significados produzidos em qualquer nível, sejam eles consciente (cortical) ou inconsciente (subcortical), podem influenciar o cérebro como um todo. (KIGNEL citando Shore, 2005).

As psicoterapias corporais (Biossíntese, Bioenergética e Biossistêmica) acrescentam ações do corpo ao setting terapêutico e, dessa forma, estimulam processos subcorticais e somáticos, enquanto pensamentos e imagens corticais vêm a um foco de consciência ou expressão. Assim, pode-se criar uma extensão subcortical, significando que a partir dos centros subcorticais as mensagens são enviadas ao córtex da consciência e a partir da consciência podem também ser estimulados através de técnicas corporais os centros subcorticais.

Estar diante de uma pessoa é criar um contato visual, uma sensação de reconhecimento recíproco, colocar-se em contato com o outro, através do olhar. Significa certa criação de proximidade com a pessoa, segundo Liss, citando Bertolucci (1997). A maioria das pessoas não percebe, realmente, a causa de sua própria couraça.

Kignel (2005) explica a ressonância em psicoterapia corporal como a comunicação não-verbal e pode ser percebida e vivida de várias formas, como respiração ou dança. Relações que envolvem comunicação são como uma dança com movimentos voluntários e involuntários, envolvendo sintonia, que ocorre significativamente fora da consciência e quase automaticamente, como também empatia tem a ver com “espelhar” e “ecoar”.

Ressonância é uma espécie de comunicação não-verbal, com diferentes nomes. Para Wilhelm Reich: identificação vegetativa; Jay Stattman: transferência orgânica; Stanley Keleman: ressonância somática; Kernberg: unidade primitiva de relações objetais. (KIGNEL, 2005).

Kignel (2005) citando Stern, espelhar e ecoar juntos formam a “sintonia de afeto”, em que os dois compartilham o processo inicial de “ressonância emocional”, em que por meio da dança envolvida na sintonia de afeto pode-se chegar a conscientização de estados de ser que darão significado à comunicação.

Espinosa especulou que, se a natureza do corpo de uma pessoa é como a natureza de nosso próprio corpo, então nossa idéia a respeito do corpo do outro, como nós imaginamos, envolverá uma afecção de nosso próprio corpo com a afecção do corpo do outro. Conseqüentemente, se sentimos e imaginamos alguém com que nos identificamos ser tocado por algum afeto, essa imaginação expressará uma afecção em nosso próprio corpo, como a do outro (Kignel, pág. 105, 2005).

“A capacidade de falar é uma das características chaves do ser humano”, (BERTOLUCCI, in A Terapia Relacional Biossistêmica, 1977). As crianças aprendem a conhecer a qualidade dos objetos colocando-os na boca, usando a modalidade sensorial do paladar, aprendem tocando, é uma relação intima entre tocar e conhecer.

O movimento do corpo de uma criança se expande por meio de modulações que marcam o desenvolvimento e aprendizado. A qualidade do encontro dependerá de gestos: de ternura, de raiva, de acolhimento. Há uma espécie de dança entre uma criança e o mundo, a qual, além de movimentar-se e criar, se expressa subjetivamente. Caso a pessoa não tenha tido a oportunidade de experimentar essa dança, pode se transformar naquilo que é chamado de personalidade robótica, sem ritmo ou melodia.

Stupiggia (2007) traz a criação da criança de um esquema afetivo motor, que são os movimentos do bebê. Movimentos com qualidade afetiva nas relações, no primeiro nível, são movimentos precoces que criam à atuação do adulto, o padrão de atuação do adulto e a forma como age o cuidador comportamentalmente com o bebê. Vai criar uma estrutura de personalidade para esta.

Num segundo nível, que é o verbal ou vocal, a criança vai criar um significado, e a linguagem descritiva utilizada pelo cuidador serve para a criança completar o esquema afetivo motor. Faz parte do processo, por exemplo, a descrição de como a criança organiza a estratégia para alcançar um determinado objeto, uma caneta ou um brinquedo; é importante fazer parte da conclusão para se formar este padrão, o ato de elogiar a criança pelo sucesso na execução da tarefa. É nesta “atmosfera de origem” que se forma o padrão de funcionamento, o esquema afetivo motor, o esquema psíquico. A falta da linguagem descritiva faz com que a criança não saiba quando começa ou termina o processo, não sabe se alcançou o objetivo e não pode nunca relaxar, pode ser um fator gerador de TDAH, mas, com certeza, é um fator gerador de insegurança nas relações.

A comunicação pode segundo Mazzini apud Liss (1977), às vezes, gerar um obstáculo à compreensão dos outros, uma barreira, um instrumento para fazer o mal, para o ataque ou para a defesa, outras vezes são mais importantes os aspectos semânticos (significados das palavras), outras vezes, são os aspectos relacionais ou as relações emotivas que mais importam.

A comunicação não é um frio processo intelectual, é uma forma de compartilhar sentimentos emocionais mais ricos, informações sobre nos mesmos.

Comunicar significa fazer contatos, trocar substâncias, palavras podem ser trocadas e também podemos comunicar corpo a corpo. O nosso corpo se move espontaneamente quando somos arrebatados por sentimentos e render-se em relação aos sentimentos significa render-se em relação ao movimento corporal que expressa o sentimento.

Wilhelm Reich descreveu três direções para os movimentos corporais: 1. para longe das pessoas quando sentimos medo e ameaça; 2. contra as pessoas quando sentimos raiva ou ódio; e 3. para perto das pessoas quando sentimos prazer e amor.

Watzlawick (1991) traz que a comunicação humana se estabelece em três áreas: 1. a sintaxe, 2. a semântica e 3. a pragmática, sendo a semântica o significado, a sintaxe o símbolo e a pragmática todo comportamento não verbal e a linguagem do corpo.

Para Stupiggia (2007), a comunicação está conectada a relação corporal, e que existe um movimento na relação comunicacional, mais do que na questão semântica. Existem possibilidades, não é simplesmente uma relação causa e efeito.

A Biossistêmica considera segundo Mazzini, a unidade corpo-mente como a base fundamental de trabalho; é essencial o trabalho a respeito da comunicação, pois a expressão das próprias vivências emotivas vem circundada por um importante fator de saúde psicofísica. Em alternativa, a inibição da ação que, ao contrário, levaria ao mal-estar psicológico e psicossomático; assim como a própria linguagem interior pode tornar-se mais apropriada e positiva.

É mais fácil padronizar os efeitos da indução quando se trabalha a comunicação verbal e não-verbal; uma comunicação saudável permite instaurar relações satisfatórias e claras, reduzindo o sofrimento e o isolamento. Integrando a mente e o corpo na linguagem. Permitindo a expressão não-verbal dos sentimentos, com sons, gestos e respiração se unindo a fala verbal, fazendo com que a palavra espelhe cada vez mais a pulsão profunda, cheia de emoção e expressividade, fonte de bem-estar e saúde.

A mediação entre os signos, símbolos e sintonia de afeto vinculam organismo e palavra, muitas vezes dissociados pela cultura da valorização da palavra, que acaba distorcendo nossa capacidade de comunicação não-verbal.

Símbolos e signos medeiam às relações entre consciência e inconsciência num processo quase exclusivamente não-verbal, o que para Kignel (2005), nos leva a refletir sobre a relação entre mundo objetivo e subjetivo.

Stupiggia (2007) propõe que tudo que acontece no setting terapêutico tem um efeito no cliente e no terapeuta e entre os dois, ao mesmo tempo, ao que ele nomeia de auto-regulação e heteroregulação e sofre influência de dois planos: o horizontal, que acontece na relação com os outros, pai, mãe, irmãos e o vertical, que é a história dos sujeitos.

Segundo Stupiggia (2007), a capacidade de escutar e observar, o feedback é que permite perceber qual é o efeito do que eu fiz no outro, o resultado da heteroregulação da dupla e da auto-regulação de cada um.

Conclusão
Cada sistema tem um padrão de funcionamento próprio. Sendo que, pela Teoria Relacional Sistêmica, o individuo não existe isolado, ele está sempre inserido em vários sistemas e o principal deles é a família de origem, que funciona como um organismo vivo, como todos os outros sistemas, com todas as suas partes interligadas em uma interação que exerce influência no individuo, e ao mesmo tempo é influenciado por este.

Da mesma forma como o corpo humano é um sistema literalmente orgânico, com todas as suas partes seus sistemas corporais interligados, é um corpo físico, mas que vai além da influência genética ou ambiental, é influenciado por um repertório emocional, de pensamentos, sentimentos e valores corporificados. Funcionando em uma interação que, a partir das áreas corticais (consciente) e subcorticais (inconsciente) e com pensamentos e imagens conscientes podem influenciar estados fisiológicos. O caminho inverso, ou seja, estados fisiológicos estimulados através de técnicas corporais, também podem influenciar pensamentos e imagens conscientes.

Tudo governado pelo Sistema Nervoso Autônomo, em uma interação entre os SNS e SNP, antagonistas e complementares no funcionamento emocional e fisiológico do indivíduo.

Estas relações implicam em formas de comunicação verbais e não verbais ressonantes e ou empáticas, formas não verbais de comunicação, que criam uma sintonia entre as partes envolvidas podendo levar a uma conscientização do estado de ser, de pertencer e dessa forma dar significado a comunicação.

E não se pode esquecer que tudo que acontece no setting terapêutico tem um efeito no cliente e no terapeuta e entre os dois ao mesmo tempo e acontece sobre a influência de um plano horizontal (relação com os outros) e de um plano vertical (historia dos sujeitos).

E finalmente estar ciente de que dependendo dos sentimentos que o cliente tiver com relação ao terapeuta, sejam eles reais ou fantasiosos, vai determinar a direção dos seus movimentos corporais, sentimentos de medo e ameaçadores levam ao afastamento, raiva e ódio as levam a se voltar contra o suposto provocador e prazer e amor mantem a proximidade entre as pessoas.

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